7 Maneiras de Ajudar Alguém com Ansiedade

Sete Maneiras de Ajudar Alguém com Ansiedade
Por Alice Boyes|25 de julho de 2018

Saber como a ansiedade funciona pode te ajudar a apoiar as pessoas que são importantes para você sem, inadvertidamente, piorar o problema.

Quando me mudei para a casa de minha (atual) esposa em 2001, ela não queria incluir o meu nome na mensagem automática de nossa secretária eletrônica. Por causa de nossa grande diferença de idade e por nosso relacionamento homoafetivo, ela estava ansiosa sobre a maneira como os seus pais iriam reagir ao fato de estarmos morando juntas.; dessa forma, ela manteve nosso relacionamento escondido deles por muitos meses.

Apesar de ter sentido muita compaixão por ela e por sua situação, estava frustrada com a maneira como a ansiedade dela me afetava – eu não gostava de agir como se estivéssemos fazendo algo vergonhoso.

Cenários como esse são comuns quando alguém na sua vida está lutando contra a ansiedade. As pessoas que nos são caras podem sentir tanto medo que evitam agir, ou agem de forma impensada, ou, ainda, de forma que aumente a sua própria ansiedade. Isso pode vir na forma de um namorado que evita tarefas ou discussões importantes constantemente, na de uma amiga que reclama de solidão mas se recusa a namorar, ou na de um chefe que está sempre focado no que pode dar errado, colocando todos para baixo. É difícil testemunhar a ansiedade de alguém que você conhece, e, ainda mais difícil quando a ansiedade deles nos afeta.

Mas o que você pode fazer para ajudar pessoas ansiosas?

Primeiramente, você precisa entender que ansiedade é uma característica humana e não um defeito. A maioria das pessoas fica ansiosa de tempos em tempos, pois a ansiedade é geralmente uma emoção útil, que nos ajuda a ver ameaças potenciais, nos deixa preocupados com a rejeição social e nos mantém alertas quanto a sermos enganados. Ser ansioso pode parecer um defeito, mas, na verdade, é útil ter alguns indivíduos mais cautelosos na população, pois estes são os que frequentemente se preocupam com as coisas que podem dar errado.

No entanto, às vezes as pessoas entram em padrões de comportamentos ansiosos que viram uma bola de neve. Pensam em excesso (ruminando sobre o passado ou se preocupando com o futuro), evitam qualquer situação que provoque ansiedade e usam estratégias compensatórias – como sendo extremamente perfeccionistas para evitar se sentirem impostores em seu trabalho – o que diminui a ansiedade temporariamente, mas a aumenta em um longo prazo. Essas estratégias para lidar com a ansiedade podem afastar as outras pessoas – pessoas como você.

Mesmo sendo doloroso e frustrante ver nossos parceiros sofrerem, existem coisas que você pode fazer para ajudar. Aqui estão algumas estratégias que eu recomendo, baseadas em meu livro, The Anxiety Tollkit ( sem tradução para o português).

  1. Entenda as formas diferentes como a ansiedade se manifesta

Devido à evolução, somos programados para respondermos ao medo lutando, fugindo ou congelando. Normalmente, cada pessoa tem uma das formas de resposta como dominante. Dessa maneira, minha esposa tende a congelar e “enterrar sua cabeça na areia” ao invés de lidar com as coisas que a deixam estressada e em pânico. Eu tendo mais a lutar e a me tornar mais irritável, excessivamente perfeccionista ou dogmática, caso me sinta estressada.

Quando você compreende que a ansiedade é feita para nos sensibilizar a ameaças, é mais fácil entender uma pessoa que está com medo (ou estressada), agindo de forma irritadiça ou defensiva e conseguir, assim, sentir compaixão por ela. Prestando atenção em como a ansiedade se manifesta na pessoa que você gosta, você pode aprender seus padrões e ficar em uma posição melhor para ajudá-la.

  1. Combine o seu apoio com as preferências dela e seu estilo de apego

É melhor perguntar à pessoa qual tipo de apoio ela prefere receber do que tentar adivinhar! Contudo, nós sabemos por meio de pesquisas que pessoas que têm um estilo de apego evitativo ou esquivo (tipicamente aquelas que experimentaram rejeição de cuidadores ou em relacionamentos passados) tendem a responder melhor a fortes demonstrações de apoio prático. Isso pode incluir ajudar o ansioso quebrar suas tarefas em pequenos passos gerenciáveis, ou conversar sobre opções em um caso que ele tenha que lidar com situações difíceis como, por exemplo, responder a um e-mail raivoso, mas, ainda assim, reconhecendo a autonomia e independência dele .

Outras pessoas são mais abertas ao apoio emocional, especialmente aquelas cujo estilo de apego é seguro, ou têm um estilo de apego “preocupado”, devido ao medo do abandono ou de suas emoções serem opressivas para os outros . Parceiros como estes respondem bem a afirmações que enfatizam que eles são parte de uma equipe firme – por exemplo, seus apoiadores dizendo coisas como “ Isso é duro mas nós nos amamos e vamos passar por isso juntos.”

É claro que essas são generalizações, e você precisa moldar a sua atitude de apoio observando o que funciona na sua situação em particular. Mas quando você tem um relacionamento muito íntimo com alguém, você pode oferecer suporte baseando-se na compreensão dos padrões de ansiedade do seu parceiro.

  1. Encontrar meios de utilizar qualquer compreensão que ela tenha sobre a própria ansiedade

Se seu parceiro (a) tem algum entendimento sobre a própria ansiedade, você pode ajudá-lo a perceber quando seus padrões de ansiedade estão ocorrendo. Eu achei muito útil quando minha esposa percebeu que eu expressava minha ansiedade sobre trabalho ficando irritada com ela ou ficando agitada. Porque conhecemos nossos padrões tão bem e temos uma relação de confiança mútua podemos apontar os hábitos uma da outra. Não que isso sempre aconteça sem atritos, mas a mensagem é dada, de qualquer forma.

Se você decidir fazer isso, é uma boa ideia pedir a permissão do parceiro antes. Tenha em mente que pessoas que percebem a própria ansiedade ainda sentem-se compelidas a “entrar” em seus pensamentos ansiosos. Uma pessoa que tenha uma ansiedade em relação à saúde pode saber que ir ao médico toda semana, para múltiplos exames, é desnecessário, e não conseguir ficar tranquila mesmo assim. Se a pessoa que você gosta não percebe a própria ansiedade ou tem problema gerenciando suas compulsões, é provavelmente melhor encorajá-la a ir ao psicólogo especialista em ansiedade.

  1. Ajudar o ansioso a equilibrar seus pensamentos

O seu apoio será mais útil se você se educar sobre modelos cognitivos-comportamentais de ansiedade, o que você pode fazer lendo ou frequentando uma sessão de terapia com o seu parceiro (a). Mas, caso não seja possível, você pode tentar usar algumas técnicas que podem ser úteis às pessoas que sofrem de ansiedade.

Tipicamente, pessoas ansiosas têm uma tendência natural a pensar sobre “ o pior dos cenários”. Para ajudá-las a ganhar perspectiva, você pode usar uma técnica de terapia cognitiva onde você pede a ela para considerar três questões:

  • O que de pior poderia acontecer?
  • O que de melhor poderia acontecer?
  • O que é mais realista ou aproximado?

Dessa forma, se o seu parceiro está ansioso por que deveria ter tido notícias dos pais há algumas horas e não teve, você pode sugerir que ele considere o pior , o melhor e a explicação mais realista sobre a falta de contato.

Tenha cuidado para não tranquilizar demasiadamente o seu parceiro. É mais útil enfatizar a habilidade dele para lidar com a situação. Por exemplo, se ele está preocupado em ter um ataque de pânico em um avião, você pode dizer, ‘Isso seria extremamente desagradável e assustador, mas você saberia lidar com isso.” E, se a pessoa de quem você gosta está se sentindo ansiosa porque alguém está com raiva dela ou desapontada com ela, é útil lembra-la que você só pode controlar as suas próprias ações e não controlar completamente as ações de outras pessoas.

  1. Ofereça apoio, mas não assuma o controle

Evitação é a característica central da ansiedade, então, às vezes nos sentimos compelidos a ajudar fazendo as coisas para nossos queridos evitantes e, inadvertidamente, alimentamos a evitação deles. Por exemplo, se o seu ansioso colega de quarto acha incrivelmente estressante fazer ligações telefônicas e você acaba o fazendo no lugar dele, ele nunca enfrentará o problema.

Um bom princípio geral para se manter em mente é que apoiar significa ajudar alguém a se ajudar, e não fazer as coisas por ele. Por exemplo, você pode oferecer-se para acompanhá-lo na primeira sessão de terapia se ele marcar a consulta. Ou, se ele não está convicto entre qual terapeuta escolher, você pode fazer um “brainstorm” (elencar ideias) sobre como resolver esse problema, mas deixá-lo escolher o terapeuta ao final.

Uma exceção pode ocorrer quando a ansiedade de alguém está acompanhada de uma depressão severa. Se ele não consegue levantar da cama, pode estar tão entorpecido que precisa temporariamente de alguém que faça o que tem que ser feito para mantê-lo vivo. Da mesma forma, às vezes uma pessoa está tão tomada pela ansiedade que se encontra em um puro estado de sobrevivência e precisa ser tranquilizada para conseguir resolver seus problemas. Em circunstâncias menos extremas, contudo, é melhor oferecer apoio sem assumir o controle ou tranquilizar demasiadamente.

  1. Se alguém tem um problema mais sério de ansiedade, evite estigmatizá-lo

O que podemos fazer por pessoas com problemas mais sérios? Pessoas que experimentam coisas como ataques de pânico, depressão misturada com ansiedade, estresse pós-traumático, ou pensamentos obsessivos (incluindo pensamentos relacionados a transtornos alimentares) podem temer estar enlouquecendo e ajudá-los pode estar além de nossa habilidade.

Você ainda pode oferecer apoio de muitas formas. Quando alguém está experimentando uma forte ansiedade, é útil assegurá-lo de que a percepção geral que você tem dele não mudou. Ele ainda é a mesma pessoa e está apenas sofrendo de um problema que saiu do controle temporariamente. Ele não está arruinado e continua sendo a mesma pessoa. Dentro do possível, você pode ajudá-lo a ficar conectado com os aspectos positivos da própria identidade, participando e encorajando seus interesses e hobbies.

Às vezes, indivíduos que têm ansiedade crônica não estão interessados em mudar. Por exemplo, você pode ser amigo de alguém que tem agorafobia ou um transtorno alimentar, mas sua condição está estável por algum tempo. Nesses casos, você pode demonstrar aceitação pela pessoa de forma que esta não se sinta isolada. A melhor estratégia é ser prático sem envergonhá-la ou insistir que ela deva buscar a “normalidade”.

  1. Cuide-se também

Reconheça que seu objetivo é ajudar e não curar a pessoa ou aliviar a sua ansiedade. Assumir muita responsabilidade é, na verdade, um sintoma de ansiedade, portanto, veja se não está caindo na mesma armadilha.

Tenha em mente que o seu apoio não precisa ser focado diretamente na ansiedade. Por exemplo, exercícios são extremamente úteis para tratar ansiedade.; dessa forma, talvez você possa simplesmente se oferecer para uma caminhada, ou uma aula de yoga juntos. É igualmente importante colocar limites no quanto pode ajudar. Uns 20 minutos de conversa desestressante enquanto caminha é mais útil ( e menos exaustivo) que duas horas de uma maratona de discussão.

Ajudar alguém com ansiedade não é sempre fácil e você pode vir a sentir que está fazendo algo errado. Mas, se você se lembrar de que tanto você quanto o seu parceiro estão fazendo o melhor que conseguem fazer, você pode manter as coisas em perspectiva. É importante se manter compassivo e, como dizem, colocar a sua própria máscara de oxigênio primeiro. Dessa forma, você terá maior clareza sobre a ansiedade do seu parceiro e de como você pode verdadeiramente ajudá-lo.

Fonte: Para ler o artigo original em inglês clique AQUI

Cortesia da equipe de Traduções Contemplativas: Trad. Ana Lídia de Andrade, revisão: Lama Jigme Lhawang

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